segunda-feira, 28 de maio de 2012

RONDONIA NA LAMA


RONDÔNIA NA LAMA

*Fátima  Brito



           O Brasil está atolado na lama fedorenta da corrupção, a cada dia que passa nos dá a sensação que só existem dois caminhos para nosso país: O Brasil acaba com a corrupção ou a corrupção acabará com ele.

 Nos quatros cantos do país, de Brasília ao município mais humilde escondido em meio à floresta amazônica, nossos políticos fazem a festa com o dinheiro público e já não se tem mais lugar pra guardar tanto dinheiro. São caixas de sapatos, meias e cuecas e abertamente em associações e fundações fantasmagóricas e fraudulentas para tirar dinheiro a “rodo” dos cofres governamentais e aumentar a cada dia a desigualdade social.

Li em uma coluna de um jornal eletrônico que o autor dizia ter saudades da ditadura militar, e afirmo a este caro colega  que também tenho saudades! Bons tempos aquele, eu era feliz e não sabia!

Sinto muito pelas mães que perderam seus filhos, sinto também pelos filhos que perderam seus pais por uma grande luta em busca da tão sonhada liberdade e perderam suas vidas nos porões do antigo regime, através de torturas. Pelo menos a Ditadura Militar tinha nome, cara e cor.

Nome: Exercito Brasileiro

Cara: Homens uniformizados

Cor: Verde

Só que a ditadura militar não importunava aqueles que viviam suas vidas e não se envolvidas em política, não matava criancinhas, velhinhos e jovens. Eu mesma nunca fui importunada pelos militares, trabalhava muito, só vivia pra meus filhos e para melhorar nossa situação financeira quando precisava ir ou levar meus filhos ao médico, sempre tinha atendimento nunca voltava desolada.

Isso é para refletir: você acreditava mesmo que vivemos uma democracia¿ não! Hoje a nossa ditadura não tem cara, nem cor e nome. Mas, ela existe! Os porões da tortura são os hospitais públicos também carinhosamente chamados de “corredores da morte”. Seu crime: ficar doente e não ter dinheiro para pagar hospital particular ou não ter plano de saúde! Método de Tortura: ser jogado no chão, não ter médico pra atender, nem ter remédios e ficar por dias a frio nos corredores fétidos dos hospitais imundos e que não respeita ninguém independente de cor ou idade e os soldados são funcionários, mal remunerados, estressados, exaustos e que na hora de reivindicar os seus direitos são espancados.

A ditadura militar acabou só que vivemos uma ditadura sem cara, cor ou nome, mas está ai. Ela não tem porões... Os métodos são mais sofisticados, se você denunciar qualquer falcatrua leva um tiro na cara de um motoqueiro qualquer, a pena é de morte ou sofre um festival de desmoralização pública, tiram todos os adjetivos de qualquer marginal e colocam em você.

Hoje não tem ninguém sendo espancado nos porões da ditadura “sem cara” porque não tem ninguém denunciando, até porque se denunciar os corruptos, os ladrões saem rindo da cara do povo. Há poucos dias vi professores sendo espancados levando tiro de borracha, a policia espancou os mesmos com cassetetes e chutes diante de câmeras de repórteres!  Crime: está reivindicando melhores salários e condições de trabalho, como segurança, para não ser morto por alunos mal intencionados, isso aconteceu no Ceará, mas acontece em qualquer lugar deste país e principalmente com a classe trabalhadora.
Isso é ditadura! Só mudou de mãos. A ditadura militar pelo menos torturava nos porões, nos fundos de uma casa qualquer, não faziam diante dos filhos e netos para que não vissem e os familiares passarem o desespero de ver seus entes queridos serem torturados.

Essa ditadura espanca trabalhadores nas ruas e também quem fere seus interesses. Fui eleita vereadora nesta capital (Porto Velho), e resolvi que faria um trabalho respeitando o fim para o qual fui eleita. De inicio fui convidada a uma reunião com a direção do Partido no qual era filiada e ouvir que teria que ler e rezar na cartilha do então presidente do partido, ainda  tinha que votar favorável em tudo que fosse de interesse do presidente e nos benefícios “pessoais” da prefeitura!

Fui contra, pois era contra meus princípios. Jamais viraria um “fantoche”.

Paguei muito caro por isso, fui pega pela ditadura sem cara, não para os porões, mas para o xadrez  de uma delegacia pois prenderam meu marido, torturaram de todas as formas: com choques nas partes intimas, afogamento, espancamento e asfixia mento e ainda o acusavam de receptação de objetos roubados. Torturaram presos para acusá-lo de ser receptador, ficou quase morto de tanta tortura que ficou um mês internado em um hospital particular para se recuperar, depois mais três meses na penitenciaria com bandidos de alta periculosidade.

O pior de tudo, que ainda fizeram-no acreditar que eu havia mandado fazer tudo aquilo que ele sofreu, para quando saísse da cadeia com muito ódio de mim, me matasse e a vaga na câmara municipal estaria livre e seria assumida pelo suplente e este jamais teria coragem de ir contra, pois teria o exemplo do que acontece com quem fere os interesses.

Hoje meu ex-marido tem ódio mortal de mim, pois acredita mesmo que fui eu que mandei torturá-lo, como muitas pessoas que se lembram do fato também acreditam. Sai da vida pública com fama  de mulher “cruel” que manda torturar o marido.

Isto é a “democracia”!!!

Logo em seguida descobrir um desvio de recursos para obras de infra-estrutura através de convênio com o Governo Federal para 11 obras. Criei CPI e chegamos ao final comprovando todas as irregularidades denunciadas e outras. Mais uma vez sentir o peso dessa ditadura sem nome e sem cor.

E o que sofri de menos foi o Prefeito dizer nos noticiários locais que eu batia na minha mãe, para chocar as pessoas e me desmoralizar publicamente. Depois de fuçar a minha vida e não encontrando nada quer desabonasse minha conduta como parlamentar a bendita CPI foi arquivada e jogada no esquecimento, uma prova de que em nosso Estado a corrupção sempre esteve alicerçada num corporativismo sujo e podre, e o que vemos nas ultimas  semanas é um chute na moralidade. A cassação de Valter Araujo nos deixa com uma sensação de “trouxas” a sociedade esperava mais, queríamos todos cassados e afastados de seus cargos por desrespeito aos bons costumes.

No entanto, parece que nada mudou nos últimos 20 anos em nossa política, desde que denunciei o prefeito daquela gestão até hoje, o dinheiro público que deveria ser investido na melhoria de vida da população rondoniense, mais saúde, mais educação, mais segurança e mais infra-estrutura é dividido por “quadrilhas” que de quatro em quatro anos enganam o povo com promessas e promessas e nada acontece de mudança estrutural em nossa cidade.



* Ex-vereadora em Porto Velho, é ativista em movimentos no combate à corrupção.








sexta-feira, 27 de abril de 2012

RONDONIA: CORRUPÇÃO, CLIENTELISMO E CORPORATIVISMO

“Nas favelas, no senado, sujeira pra todo lado, Ninguém respeita a Constituição, mas todos acreditam no futuro da nação”. Essa canção da Banda Legião Urbana embalou a juventude brasileira no final da década de 80 e de norte a sul do país todos se perguntavam: Que país é esse?
Para muitos talvez a corrupção esteja impregnada na alma ou na cultura do povo brasileiro, não é de estranhar que este mal assola nossa terrinha desde a colonização, isso é fato histórico que desde a instalação da primeira Câmara Municipal, que representava teoricamente os interesses da população local (teoricamente). Contudo, atrelada ao Governo Geral existia apenas como agente cumpridor das ordens governamentais.
Assim também é o clientelismo (pratica eleitoreira de certos políticos que troca favores por votos) e o próprio corporativismo. Nosso país esta afundado num lamaçal fedorento dessas práticas que envergonham a maioria dos brasileiros que ainda “acreditam” num futuro melhor para este país!
O Poder Legislativo que na sua essência seria de legislar em favor do povo, criando leis, fiscalizando os outros poderes perdeu sua função para a Policia Federal que não tem brincado em serviço e com excelentes operações tem descoberto, provado e comprovado o envolvimento de milícias formadas por Juízes, Ministros, Senadores, Governadores, Empresários e Funcionários públicos com uma fatia menor do bolo…
Ninguém jamais se igualou ao ex-governador paulista em escândalos de desvio e lavagem de dinheiro público. Mas isso é só a ponta do Iceberg que é uma ameaça aos cofres públicos deste país que só não afundou perla riqueza produzida pela fortuna excepcional desta nação e pela força de seus trabalhadores, a maioria abaixo da linha da pobreza.
Em Rondônia são inúmeros os casos de corrupção e bandalheira cometidos por aqueles que eram para ser a “voz do povo”, muito antes da formação deste Estado, ainda na Construção das Linhas Telegráficas do Mato Grosso, prestação de contas e relatórios dos gastos com a mesma irritavam o tão célebre e homenageado Marechal Rondon.
Era ainda menino, mas, lembro-me da Campanha politica do então candidato mineiro que tentou a sorte por aqui e investiu pesado para se eleger Deputado Federal por Rondônia, falo de Mucio Athayde (o homem do Chapéu), depois de eleito não recebia se quer um rondoniense, e falava em tom alto, que não devia nada a eleitor nenhum pois tinha pago pelos votos em troca de favores.
Jerônimo Garcia de Santana foi o primeiro governador eleito em 15 de novembro de 1986, tendo sido empossado no dia 15 de março de 1987 e o segundo Oswaldo Pianna, natural de Porto Velho ambos decepcionaram o povo rondoniense pela má administração dos recursos e patrimônio público. Na verdade a classe política rondoniense é uma fonte inesgotável de escândalos, que ganharam destaques nacionais a partir do surgimento da chamada bancada do pó, ainda na década de 80, quando deputados federais foram cassados e por crimes políticos até hoje não desvendados, como o assassinato do Senador Olavo Pires em outubro de 1990. A “nossa” Assembleia Legislativa então é um caldeirão de desmoralização desde a epopeia Donadon, passando por Carlão e fechando com chave de ouro com o então defensor dos evangélicos Valter Araújo que continua foragido.
Em nível de município talvez a coisa não seja tão diferente, pelo menos do que tenho conhecimento ou pelo menos nas denúncias feitas pelo Tribunal de Contas de Rondônia em relação a serviços prestados por uma empresa que fazia a coleta de lixo em Porto Velho, salvo engano esta empresa recebeu pelo menos l.641.917,37 (Um milhão, seiscentos e quarenta e um mil, novecentos e dezessete reais e trinta e sete centavos) por serviço que nunca realizou no ano de 2010.
Outro ex-prefeito também fora denunciado pelo Ministério Público, por meio da Promotoria de Justiça de Defesa da Probidade Administrativa em 2003 e pelo próprio Tribunal de Contas do Estado por contas das verbas destinadas a construção do calçadão beira-rio que ameaçava desapropriar moradores do histórico bairro triangulo.
E cadê os legisladores, fiscalizadores do povo¿
Na Legislatura Municipal entre 1993-1996 pelo menos vimos uma parlamentar preocupada com o destino e aplicação das verbas públicas, utilizando-se assim do verdadeiro papel de um vereador que seria trabalhar em benefício e defesa do povo, mas, como uma andorinha só não faz verão a mesma ficou acuada com perseguições, difamações e outras coisas que denegriam sua imagem pública somente por querer ser talvez a pioneira no combate a corrupção em Porto Velho.
Falo aqui da ex-vereadora Fátima Brito eleita na época pelo Partido Socialista Brasileiro, fez parte da Mesa Diretora daquela Casa de Leis como 1ª secretária e seu único erro talvez foi ter solicitado junto a seus pares o “IMPPEACHMENT” do então Prefeito Municipal de Porto Velho, naquela ocasião o Sr. José Alves Vieira Guedes; ato este que segundo a mesma custaria caro durante toda sua vida parlamentar. Talvez aqui mais um exemplo de corporativismo politico onde as denuncias teriam sido aceitas na época se fossem alvo de investigação da Policia Federal, assim mesmo correríamos o risco de vermos tudo terminar em pizza, como já é de costume nesse país.
Os exemplos de corrupção, clientelismo e corporativismo politico por aqui tem assunto para publicações de várias coletâneas, na verdade talvez o que o povo queiro é mudanças na Legislação Brasileira que puna o politico corrupto, safado e ladrão; Que nossos políticos preocupassem com a vida das pessoas simples e honestas; Que as verbas gastas em obras públicas fossem destinadas na sua plenitude do planejamento até a conclusão do patrimônio, sem desvios, sem atalhos, sem roubos.
Quando tudo isso acontecer, talvez não tenhamos vergonhar de dizer de peito aberto e em alta voz: “SOU DAQUI E EXIJO RESPEITO”
Prof. Valdeci Ribeiro, especialista em Educação.

terça-feira, 24 de abril de 2012

A IMPORTANCIA DA SOCIOLOGIA


POR QUE ESTUDAR SOCIOLOGIA?

*Socilogioa vem por criar o hábito de observar os fatos socias que se desenvolve a seu redor como os que ocorrem no Brasil.
*Reflete sobre o significado de cada fato e relaciona-lo a sua vida e sua familia.
*Perceber conceitos e significações de carater sociologico nos fatos sociais.
*Entender a formação dos conceitos sociologicos pelo conhecimento dos fatos históricos.
*Descobrir que a socilogia é uma ciência viva e presente.
*Tirar conclusões das análises dos fatos para sua vida, seu grupo e escola.
*Comparar fatos e formatar reflexão.
*Propor soluções para problemas de sua vida.
*Criar o hábito de ler revista e jornais.
*Fiscalizar a aplicação de recursos públicos.
 
 
* Foto tirada no Mercado Cultural com a presença do Ilustre amigo Anisio Gorayeb.

sábado, 21 de abril de 2012

MADEIRA MAMORÉ PATRIMONIO DA HUMANIDADE: VOTE NÃO

MADEIRA MAMORÉ: UMA BOA PIADA

Fazer um passeio pelos trilhos da lendaria estrada de ferro madeira mamoré é um desafio para poucos. No sábado dia 21-04 juntamente com um casal de amigos percorrir ou tentei chegar na Igreja de Santo Antônio. O que mais me deixa com cara de trouxa é saber que no dia
16/2, foi criado o Comitê em prol da candidatura da lendária ferrovia a Patrimônio Mundial da UNESCO (Organização das Nações Unidas para a Cultura, Ciência e Educação), também chamado de Patrimônio da Humanidade.

O Brasil já conta com 18 sítios com esse importante título e estar na cara para qualquer um ver, que a nossa lendária Estrada de Ferro não tem as mínimas condições nem para concorrer a nível nacional, quanto mais a nivel mundial.

A EFMM tem valor histórico inestimável que representa não só pelo esforço para construí-la, mas, mormente, por ser ela a motivadora da existência desta região. Entretanto os maus tratos de décadas, falta de respeito com a história e com o patrimônio da união esta visivel para quem tentar se aventurar a caminhar pelos velhos trilhos.

A burocracia dos orgãos responsaveis pela mesma faz com que "projetos" não saiam do papel, falo de coisas simples como limpeza do Cemitério da Candelária, dos trilhos (pelo menos ser usadas pelas escolas em aulas de história regional) entre tantas coisas simples que dar vergonha ver nossa tão famosa estrada concorrendo ou querendo concorrer a PATRIMONIO DA HUMANIDADE

Esses politicos não tem vergonha mesmo...isso é ridiculo!!!!!

A estrada de ferro está completamente jogada no lixo!!!!!!

É mais dinheiro público sendo jogado pelo ralo!!!!!


CIDADÃOS NÃO VOTEM!!!!!!

quinta-feira, 19 de abril de 2012

RONDON: O MARECHAL DA FLORESTA


Rondon, descrito pelo cientista Edgar Roquette-Pinto como “o ideal feito homem”, construiu mais de seis mil quilômetros de linhas telegráficas. Outra importante missão desse militar e engenheiro estava concluída: ele colocava o gigante estado do Mato Grosso no mapa, ligando-o também a Goiás, Rio de Janeiro, São Paulo e região sul, permitindo sua expansão econômica, e mostrava à então pouco amistosa Argentina que o Brasil estava pronto para repelir qualquer tentativa de crescimento, em nossa direção, de sua província de Misiones.


As linhas telegráficas, que os índios bororo e pareci chamavam de “língua de Mariano”, seriam utilizadas por décadas, apesar de, ainda no início do século XX, o cientista italiano Guglielmo Marconi registrar a primeira patente do telégrafo sem fio e fazê-lo funcionar com êxito comercial. Mas Cândido Rondon iria surpreender o mundo com muito mais: ele aplicou em nome do Exército Brasileiro, e da própria nação, uma política humanitária no trato com os índios.

A política de hoje, de todos os países do mundo para suas minorias populacionais, continua baseada naquela que Rondon e seus colaboradores formularam em 1910, no Serviço de Proteção aos Índios (SPI). E a chancela dessa política planetária é da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) e da Organização Internacional do Trabalho (OIT).
Descendente de índios bororo, guaná e terena, Cândido Mariano da Silva Rondon nasceu no Mato Grosso, em 5 de maio de 1865.Órfão de pai e mãe ainda criança pequena, foi criado por um tio que o enviou ao Rio de Janeiro para os estudos militares e “ser alguém na vida.” Em 1889, aos 24 anos de idade, Rondon foi nomeado ajudante do então major Antonio Ernesto Gomes Carneiro na Comissão de Linhas Telegráficas Estratégicas, no Mato Grosso. É com esse oficial (“o único chefe que eu tive”) que ele se definiu como uma das mais generosas figuras da Humanidade. O militar narrou para a escritora Ester de Viveiros, sua biógrafa no livro “Rondon conta sua vida”: “Gomes Carneiro se revelou o grande conhecedor do problema indígena, o nobre defensor dos donos das terras que atravessávamos, nossos irmãos das selvas. Proibiu, terminantemente, em cartazes que mandou afixar ao longo da linha telegráfica, que neles se atirasse, ainda que fosse para os assustar: “Quem dora em diante, tentar matar ou afugentar os índios de suas legítimas terras, terá de responder, por esse ato, perante a chefia da Comissão”. Rondon anotaria, mais tarde, em seu diário da selva que entre os anos de 1892 e 93, “fui, desde logo, estabelecendo o lema que nortearia todo o meu trabalho no sertão, em relação a nossos irmãos, os índios: “morrer, se necessário for; matar, nunca.”
Como todo gênio humanista, Rondon era um homem simples, de bom trato, amigo das pessoas, sem qualquer distinção. Na hora da comida, em meio à selva densa, era o último a fazer a refeição: “(...) o chefe fica com as sobras. (...) A comida é, antes de tudo, para o soldado.
(...) Minha maior preocupação era manter alto o ânimo da turma.” Em seu fervor militar e positivista, fazia atos solenes em datas históricas. No dia 7 de setembro mandava hastear a bandeira, tocava o hino nacional num gramofone e soltava fogos de artifício. Os índios se aproximavam, ariscos e curiosos e logo entravam na festa.

Fez, em 1913/14, uma difícil e histórica expedição científica à Amazônia, com o ex-presidente Theodore Roosevelt, dos Estados Unidos. Eles cumpriram um percurso de três mil quilômetros, descobriram e percorreram um rio de 712 quilômetros, o rio da Dúvida, formado pelos rios Castanha e Ariapuanã. Em homenagem ao estadista americano, Rondon batizou o rio com o nome de Roosevelt.A expedição levou, para o Museu de História Natural, de Nova York, uma coleção de 2.500 aves, 500 mamíferos, répteis, batráquios, peixes e insetos, muitos desconhecidos pela ciência.
O primeiro princípio de Rondon, “morrer, se preciso for, matar nunca”, foi formulado no começo deste século quando, devassando os sertões impenetrados de Mato Grosso ia de encontro às tribos mais aguerridas, com palavras e gestos de paz, negando-se a revidar seus ataques, por entender que ele e sua tropa eram os invasores e, como tal, se fariam criminosos se de sua ação resultasse a morte de um índio.”

*Valdeci Ribeiro, especialista em Historia Regional e Rondônia

EDUCASSÃO I CURTURA

Pelo país afora é comum vermos as inúmeras "pracas" que de uma certa forma seria a chamada desmericanização  da nossa tão amada língua!!!
Outras nem tanto, e fica a dúvida na verdade do que seria as idéias:
Essa acima fica na estrada da cachoeira de Teotônio, e que diabos será a informação prestada nesta praca!

segunda-feira, 16 de abril de 2012

RONDONIA: HISTÓRIA DE CICLOS ECONOMICOS

A MINERAÇÃO



A primeira mina de cassiterita descoberta em Rondônia, se localizava no rio Machadinho, no seringal denominado Augustura, de propriedade do Sr. Joaquim Pereira Rocha, no ano de 1955, este achado mudaria a História sócio-econômica de Rondônia.
Em 1956, foi retirado inicialmente 4 toneladas, já em 1968 foi retirado do solo cerca de 10 toneladas, em 1962 retirou-se aproximadamente 678 toneladas do minério, em 1972 foram retiradas 2794 toneladas, e em 1973 no auge da extração do minério chegou-se a tirar até 7300 toneladas, chegando neste período a produção corresponder a 80% do produzido no país; tendo na figura de Flodoaldo Pontes Pinto e Moacir Mota, os maiores empresários envolvidos neste processo.

Para entendermos com mais clareza este fenômeno e suas conseqüências, o território de Rondônia no ano de 1960 tinha apenas 36.936 habitantes, em 1980 essa população já era 10 vezes maior, correspondendo a 503.070 habitantes, a capital do estado, Porto Velho, já contando com pelo menos 20% desse total de habitantes.

Com a abertura da Br 364 e a chegada dos primeiros caminhões, a exploração da cassiterita cresceu de maneira astronômica. O processo de povoamento do estado também foi alterado devido à exploração do minério, ocasionando com isso transformações fundamentais nas vidas das pessoas que aqui residiam, uma vez que a economia do território, até então, era fundamentalmente vegetal, foi permutada para o extrativismo mineral. Inicialmente a garimpagem da cassiterita se dava de forma clandestina e manual, os garimpos eram densamente povoados, e através desta povoação se desenvolveu as primeiras pistas de pouso, e alguma infra-estrutura nestas localidades.

A maior parte da força de trabalho era masculina, o garimpeiro carregava consigo dois amigos inseparáveis: o revólver e o radinho de pilhas. A extração do minério era um grande sacrifício, geralmente a equipe de trabalho era constituída por duas ou três pessoas responsáveis pela escavação. Estas geralmente atingiam profundidade de até 3 metros, o desmonte da referida cata era feito após 2 ou 3 semanas de serviço.

 
O material utilizado para este fim era: picareta, enxadas, pás, enxadecos, facões e bombas para retirar a água de dentro das catas, que por sua vez era dividida em 3 partes:
1- Remoção do morto / compostos orgânicos (restos vegetais)
2- Argila/ areia, material de cor escura (loleia).
3- Cascalho, complemento de areia, pequenas partes de minério e bastante água.

A quebra era a denominação utilizada pelo garimpeiro da retirada do cascalho. Geralmente dava-se início as atividades de trabalho ás 4 horas da manhã, até as 18 horas ininterruptamente.
 
 
PARTE II
 
Em 1956, um engenheiro hindu foi enviado par fazer um levantamento mineralógico em Rondônia. Estava aberta a história do minério de estanho no Território, que se tornou a Província Estanífera do Brasil.
A lavra econômica iniciou-se em 1959, expandindo-se no começo da década de 60. A partir daí, Rondônia passou a viver um período de fartura, com intensa circulação de dinheiro. Já em 1960, houve uma produção de 49 toneladas de minério e em 1962, produziu-se 678 toneladas. Dez anos depois, em 1972, produziu-se 2.794 toneladas de minério, quando o País já havia se tornado auto-suficiente e começou a exportar estanho em lâminas para o exterior. Todo o minério vinha das minerações localizadas nos rios Machado, Machadinho, Jamari e Candeias.
O Governo Federal, em 1970, proibiu a lavra manual na província estanífera de Rondônia, de acordo com a Portaria nº. 195, determinando que a exploração das jazidas fosse mecanizada através de empresas.
O período áureo da garimpagem manual na região situa-se entre os anos de 1968 a 72. nessa época vinham garimpeiros de todo o País, principalmente do Maranhão, Piauí, Ceará, Goiás, Mato Grosso, Pará e Amazonas. Cada homem ou grupo trabalhava nos igarapés onde, ao lavar o cascalho, separavam o barro do minério. A cassiterita era levada nas costas até as cantinas compradoras. De lá era transportada para Porto Velho, e em seguida, ia de avião até o Sul do Brasil.
O ministro das Minas e Energia, Antônio Dias Leite Júnior, estipulou prazo de um ano para que os garimpeiros cessassem totalmente as atividades manuais e semi-mecanizadas de procura ao minério de estanho na chamada província estanífera. A portaria causou sérios problemas de ordem econômico-social no período de adaptação das normas e quando surgia na rodovia 364 nova atividade econômica, a agricultura.
Governava Rondônia, naquela época, o coronel Marques Henrique, militar cumpridor de seu dever que, entretanto, viu-se envolvido numa série de angustiantes problemas conseqüentes da desativação da garimpagem manual. Rondônia tinha pouco mais de cem mil habitantes, destes a grande maioria vivia da indústria extrativa vegetal ou mineral, sendo que, dependendo da época e do momento, aqueles rudes extratores tanto podiam ser garimpeiros quanto seringueiros. Naquele exato momento, da febre do estanho, praticamente haviam se decidido pela garimpagem livre que lhes proporciona alguma esperança de enriquecimento.
Alguns garimpeiros haviam chegado nos últimos momentos da década de 70. Outros, eram morados em Rondônia desde que haviam descoberto os garimpos de diamante nos rios Ji-Paraná, Comemoração de Floriano, Pimenta Bueno e Roosevelt. Na mesma década de 50, em que os garimpeiros de diamante descobriam a cassiterita nas terras do seringalista Joaquim Pereira da Rocha, responsável pela análise do material e, consequentemente pelo início da extração do minério.
Não se pode afirmar com precisão, qual o número exato de aventureiros que procuravam recursos nas lavras de cassiterita. Sabe-se que alguns afirmavam que eram mais de 10 mil homens espalhados nas entranhas da floresta, ao mesmo tempo em que eram vitimados pela febre e explorados pelos “marreteiros”, atravessadores da cachaça. Tudo isso gerava uma inquieta mobilidade em busca do enriquecimento – lícito ou não – que explodia no comércio das cidades do então Território de Rondônia. Os comércios cresciam da noite para o dia, tomava volume e se transformavam em grandes armazéns com crédito no Sul do País.

FOLCLORE POLITICO DE RONDONIA 3

Múcio Athayde (PMDB), eleito pelo estado de Rondônia, ficou muito conhecido por só andar de chapéu. Ele o usava no estilo cowboy, abas levantadas, diferente da moda cangaceira de Mão Branca.

Múcio se elegeu a primeira vez, como deputado federal, pelo PTB de Minas Gerais. O golpe militar de 64 o cassou por corrupção, um ano depois da posse, em ato publicado no Diário Oficial de 14/04/64.

Depois de recuperar seus direitos políticos (suspensos por 10 anos), Múcio decidiu eleger-se por Rondônia, estado no qual jamais havia colocado os pés. Montou esquema vitorioso para a compra do mandato e se deu bem.

Na Câmara dos Deputados, se alguém de Rondônia comparecesse a seu gabinete, solicitando qualquer tipo de ajuda, recebia a seguinte explicação:

"-Eu não ajudo ninguém, pois não devo nada a ninguém. Paguei caro por cada um dos votos que recebi e cumpri o acordo que fiz".

Nunca mais colocou os pés naquele estado, sendo proprietário de jornal em Brasília (DF), o qual diariamente publicava sua foto na primeira página com manchete que ele mesmo escrevia. Era sempre citado como "O Homem do Chapéu".

FOLCLORE POLITICO DE RONDONIA

No ano de 1988, o radialista e jornalista Dalton Di Franco, então dono da maior audiência do rádio em Porto Velho, foi eleito vereador pela legenda do Partido Municipalista Brasileiro com 1.043 votos - a segunda maior votação foi obtida pela já vereador Marlene Gorayeb, que teve 1.067 votos.

Na primeira foto, o "santinho" que Dalton Di Franco usou para divulgar seu número. Na época era usada cédula de papel para votação. Não havia ainda urna eletrônica. A apuração durava dias.

domingo, 15 de abril de 2012

FOLCLORE POLITICO DE RONDONIA

FOLCLORE POLÍTICO DE RONDÔNIA

Homenagem ao Ex-Verador David de Sá, na Legislatura no Final da década de 80, Davi Sá ainda reside no Bairro Nova Porto Velho.


█ No auge da campanha política de 1990, o comitê político do então candidato a Deputado Federal Maurício Calixto se assemelhava a um formigueiro, com tantos candidatos, cabos eleitorais e eleitores que entravam e saiam, a toda hora, por todos os lados, mais parecendo com a Casa de Irene ou a de Mãe Joana.

Neste vai e vem de candidatos, de colaboradores e de eleitores, os candidatos a Deputado Estadual David Sá (Porto Velho) e Ozézio Florêncio (Cerejeiras), velhos amigos políticos, de muitas campanhas e de várias derrotas, se consideravam eleitos e até faziam planos e projetos para comporem seus gabinetes.

- O meu gabinete não vai ter portas, afirmou David Sá.

- É, realmente é uma boa saída. Também você não vai ter gabinete, acrescentou Onézio. Ah! AH! AH! AH!

- Ora, não!!! Eu já estou eleito, rapaz.

- Esta sua história, David, eu escuto há muito tempo, de outros carnavais.

- É, mas agora não tem boca. Eu vou ser muito bem votado. Aguarde!

Terminadas as apurações e divulgados os resultados, os dois derrotados se encontraram, se abraçaram e derramaram suas lamentações, entre sorrisos e lágrimas, num mar de desculpas.

- Eu não ganhei a eleição porque me faltou dinheiro. Disse David Sá.

- Eu só perdi a eleição porque me faltou votos, finalizou Onézio.

E caíram em gargalhadas, com risos carregados e tímidos, prejudicados com os reflexos de tantas derrotas acumuladas.