Tratar Presos com mais rigor?

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

PRIMEIRA GUERRA MUNDIAL - causas



Entre os anos de 1870 e 1914, o mundo vivia a euforia da chamada Belle Epóque (Bela Época). Do ponto de vista da burguesia dos grandes países industrializados, o planeta experimentava um tempo de progresso econômico e tecnológico. Confiantes de que a civilização atingira o ápice de suas potencialidades, os países ricos viviam a simples expectativa de disseminar seus paradigmas às nações menos desenvolvidas. Entretanto, todo esse otimismo encobria um sério conjunto de tensões.

Com o passar do tempo, a relação entre os maiores países industrializados se transformou em uma relação marcada pelo signo da disputa e da tensão. Nações como Itália, Alemanha e Japão, promoveram a modernização de suas economias. Com isso, a concorrência pelos territórios imperialistas acabava se acirrando a cada dia. Orientados pela lógica do lucro capitalista, as potências industriais disputavam cada palmo das matérias-primas e dos mercados consumidores mundiais.

Um dos primeiros sinais dessa vindoura crise se deu por meio de uma intensa corrida armamentista. Preocupados em manter e conquistar territórios, os países europeus investiam em uma pesada tecnologia de guerra e empreendia meios para engrossar as fileiras de seus exércitos.

Nesse último aspecto, vale lembrar que a ideologia nacionalista alimentava um sentimento utópico de superioridade que abalava o bom entendimento entre as nações.Outra importante experiência ligada a esse clima de rivalidade pôde ser observada com o desenvolvimento da chamada “política de alianças”.

Através da assinatura de acordos político-militares, os países europeus se dividiram nos futuros blocos políticos que conduziriam a Primeira Guerra Mundial. Por fim, o Velho Mundo estava dividido entre a Tríplice Aliança – formada por Alemanha, Império Austro-Húngaro e Itália – e a Tríplice Entente – composta por Rússia, França e Inglaterra.Mediante esse contexto, tínhamos formado o terrível “barril de pólvora” que explodiria com o início da guerra em 1914.

Utilizando da disputa política pela região dos Bálcãs, a Europa detonou um conflito que inaugurava o temível poder de metralhadoras, submarinos, tanques, aviões e gases venenosos. Ao longo de quatro anos, a destruição e morte de milhares impuseram a revisão do antigo paradigma que lançava o mundo europeu como um modelo a ser seguido.


Prof. Valdeci Ribeiro, leciona Sociologia no JBC

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

DISCURSO SOBRE "SEXO"




A sociedade vive desde o século XVIII, com a ascensão da burguesia, uma fase de repressão sexual. Nessa fase, o sexo se reduz a sua função reprodutora e o casal procriador passa a ser o modelo. O que sobra vira anormal - é expulso, negado e reduzido ao silêncio.

Mas a sociedade burguesa - hipócrita - vê-se forçada a algumas concessões. Ela restringe as sexualidades ilegítimas a lugares onde possam dar lucros, como nas casas de prostituição e hospitais psiquiátricos.

A justificativa para isso seria que, em uma época em que a força de trabalho é muito explorada, as energias não podem ser dissipadas nos prazeres. Certo?Segundo Michel Foucault, filósofo francês, está quase tudo errado. A hipótese descrita acima é chamada por ele de hipótese repressiva e vem sendo aceita quase como uma verdade absoluta.

Mas Foucault descontrói esse pensamento e formula uma nova e desconcertante hipótese, mostrando a seus leitores que ainda que certas explicações funcionem, elas não podem ser encaradas como as únicas verdadeiras, pois, segundo ele, a verdade nada mais é do que uma mentira que não pode contestada em um determinado momento.De certa forma, a hipótese repressiva não pode ser contestada, já que serve bem à sociedade atual. Foucault afirma que, para nós, é gratificante formular em termos de repressão as relações de sexo e poder por uma série de motivos.

Primeiramente, porque, se o sexo é reprimido, o simples fato de falar dele e de sua repressão ganham um ar de transgressão. Segundo, porque, aceitando-se a hipótese repressiva, pode-se vincular revolução e prazer, pode-se falar num período em que tudo vai ser bom: o da liberação sexual. Sexo, revelação da verdade, inversão da lei do mundo são, hoje, coisas ligadas entre si. Finalmente, insiste-se na hipótese repressiva porque aí tudo que se diz sobre o sexo ganha valor mercantil. Por exemplo, certas pessoas (psicólogos) são pagas para ouvirem falar da vida sexual dos outros.Esse enunciado da hipótese repressiva vem acompanhado de uma forma de pregação: a afirmação de uma sexualidade reprimida é acompanhada de um discurso destinado a dizer a verdade sobre o sexo.

Foucault, no livro História da Sexualidade I, interroga o caso de uma sociedade que há mais de um século se "fustiga ruidosamente por sua hipocrisia, fala prolixamente de seu próprio silêncio, obstina-se em detalhar o que não se diz e promete-se liberar das leis que a fazem funcionar". A questão básica não é "por que somos reprimidos, mas por que dizemos, com tanta paixão, com tanto rancor contra nosso passado mais próximo, contra nosso presente e contra nós mesmos que somos reprimidos?".A partir daí, o autor nos propõe uma série de questionamentos: a repressão sexual é mesmo uma evidência histórica, como tanto se afirma por aí? Serão os meios de que se utiliza o poder mesmo repressivos? Será que não se utilizam de formas mais ardilosas e discretas de poder? A crítica feita à repressão quer mesmo acabar com esta ou faz parte da mesma rede histórica que denuncia? Existe mesmo uma ruptura histórica entre Idade da repressão e a análise crítica da repressão? Não seria para incitar a falar sobre ele que o sexo é exibido como segredo que é indispensável desencavar?

Não é que Foucault diga que o sexo não vem sendo reprimido; afirma, sim, que essa interdição não é o elemento fundamental e constituinte a partir do qual se pode escrever a história do sexo a partir da Idade Moderna. Ele coloca a hipótese repressiva numa economia geral dos discursos sobre sexo a partir do século XVII. Mostra que todos esses elementos negativos ligados ao sexo (proibição, repressão etc.) têm uma função local e tática numa colocação discursiva, numa técnica de poder, numa vontade de saber.

A hipótese de Foucault é que há, a partir do século XVIII, uma proliferação de discursos sobre sexo. Diz ele que foi o próprio poder que incitou essa proliferação de discursos, através de instituições como a Igreja, a escola, a família, o consultório médico. Essas instituições não visavam proibir ou reduzir a prática sexual. Visavam, sim, o controle do indivíduo e da população.A explosão discursiva sobre sexo de que trata Foucault veio acompanhada de uma depuração do vocabulário sobre sexo autorizado, assim como de uma definição de onde e de quando podia se falar dele. Regiões de silêncio - ou, pelo menos, de discrição - foram estabelecidas entre pais e filhos, educadores e alunos, patrões e serviçais etc.A Igreja Católica, com a Contra-Reforma, deu início ao processo de incitação dos discursos sobre sexo ao estimular o aumento das confissões ao padre e também a si mesmo.

As "insinuações da carne" têm de ser ditas em detalhes, incluindo os pensamentos sobre sexo. O bom cristão deve procurar fazer de todo o seu desejo um discurso. Ainda que tenha havido uma interdição de certas palavras, esta é apenas um dispositivo secundário em relação a essa grande sujeição, é apenas uma maneira de tornar o discurso sobre sexo moralmente aceitável e tecnicamente útil.Ainda no século XVIII e principalmente no século XIX, houve uma dispersão dos focos de discurso sobre o sexo, que antes eram restritos à Igreja. Houve uma explosão de discursos sobre sexo, que tomaram forma nas diversas disciplinas, além de se diversificarem na forma também. A medicina, a psiquiatria, a justiça penal, a demografia, a crítica política também passam a se preocupar com o sexo. Analisa-se, contabiliza-se, classifica-se, especifica-se a prática sexual, através de pesquisas quantitativas ou causais.Esses discurso são, realmente, moralistas, mas isso não é o essencial.

O essencial é que eles revelam a necessidade reconhecida de superar esse moralismo. Supõe-se que se deve falar de sexo, mas não apenas como uma coisa que se deve simplesmente coordenar ou tolerar, mas gerir, inserir em sistemas de utilidade, regular para o bem de todos, fazer funcionar segundo um padrão ótimo. O sexo não se julga apenas, mas administra-se .

Portanto, regula-se o sexo não pela proibição, mas por meio de discursos úteis e públicos, visando fortalecer e aumentar a potência do Estado (que não significa aqui estritamente República, mas também cada um dos membros que o compõe).Um dos exemplos práticos dos motivos para se regular o sexo foi o surgimento da população como problema econômico e político, sendo necessário analisar a taxa de natalidade, a idade do casamento, a precocidade e a freqüência das relações sexuais, a maneira de torná-las fecundas ou estéreis e assim por diante. Pela primeira vez, a fortuna e o futuro da sociedade eram ligados à maneira como cada pessoa usava o seu sexo. O aumento dos discursos sobre sexo pode, então, ter visado produzir uma sexualidade economicamente útil.Da mesma forma em que o sexo passou a ser um problema para a demografia, também passou a despertar as atenções de pedagogos e psiquiatras. Na pedagogia, há a elaboração de um discurso acerca do sexo das crianças, enquanto, na psiquiatria, estabelece-se o conjunto das perversões sexuais. Ao se assinalar os perigos, despertam-se as atenções em torno do sexo. Irradiam-se discursos, intensificando a consciência de um perigo incessante - o que incita cada vez mais o falar sobre sexo.O exame médico, a investigação psiquiátrica, o relatório pedagógico, o controle familiar, que aparentemente visam apenas vigiar e reprimir essas sexualidades periféricas, funcionam, na verdade, como mecanismos de dupla incitação: prazer e poder. "Prazer em exercer um poder que questiona, fiscaliza, espreita, espia, investiga, apalpa, revela; prazer de escapar a esse poder. Poder que se deixa invadir pelo prazer que persegue - poder que se afirma no prazer de mostrar-se, de escandalizar, de resistir." Prazer e poder se reforçam.Pode-se afirmar, então, que um novo prazer surgiu: o de contar e o de ouvir. É a obrigação da confissão, que se difundiu tão amplamente, que já está tão profundamente incorporada a nós, que não a percebemos mais como efeito de um poder que nos coage. A confissão se diversificou e tomou novas formas: interrogatórios, consultas, narrativas autobiográficas. O dever de dizer tudo e o poder de interrogar sobre tudo se justificam no princípio de que a conduta sexual é capaz de provocar as conseqüências mais variadas, ao longo de toda a existência. O sexo aparece como uma superfície de repercussão para outras doenças. Mas pressupõe-se que a verdade cura quando dita a tempo e quando dita a quem é devido.

Michel Foucault constrói, portanto, uma nova hipótese acerca da sexualidade humana, segundo a qual esta não deve ser concebida como um dado da natureza que o poder tenta reprimir. Deve, sim, ser encarada como produto do encadeamento da estimulação dos corpos, da intensificação dos prazeres, da incitação ao discurso, da formação dos conhecimentos, do reforço dos controles e das resistências.

As sexualidades são, assim, socialmente construídas. Assim como a hipótese repressiva, é uma explicação que funciona. Cada um que aceite a verdade que mais lhe convém. Ou invente novas verdades.


quarta-feira, 16 de setembro de 2009

PARÓDIA: DITADURA MILITAR




A Ditadura Militar









Para estudar a tal ditadura
Com a guerra fria eu vou ter que analisar
Tem Castelo Branco, Costa e Silva e Mádici
Geisel, Figueiredo pra redemocratizar
Em 64, Jango golpeado
Com a burguesia e a igreja a apoiar
Financiamento Norte-americano
Para o comunismo no Brasil não se implantar

Bipartidarismo
A censura tem
Com esse raio de tortura
Os militares se mantêm
Bipartidarismo
A censura tem
Conhecer a ditadura
Com esse raio de tortura
Os militares se mantêm

Na economia, o Brasil modernizo
Imagina tu como ficou devendo
Multinacional que por aqui se instalo
E a concentração de renda se fortalecendo
E no auge da ditadura
Com o AI-5 a repressão vai aumentar
Logo após o caso Moreira Alves
Passeata dos cem mil para redemocratizar

Bipartidarismo
A censura tem
Com esse raio de tortura
Os militares se mantêm
Bipartidarismo
A censura tem
Conhecer a ditadura
Com esse raio de tortura
Os militares se mantêm

Ernesto Geisel começou a abertura
De forma lenta, gradual e segura
Novos partidos, Figueiredo permitia
Anistia, anistia, anistia!"
Diretas Já" em 84 sucumbia
A nova república Tancredo inicia

Bipartidarismo
A censura tem
Com esse raio de tortura
Os militares se mantêm
Bipartidarismo
A censura tem
Conhecer a ditadura
Com esse raio de tortura
Os militares se mantêm

domingo, 13 de setembro de 2009

OS PARTIDOS POLÍTICOS NO IMPÉRIO



* Prof. Valdeci Ribeiro
Com certeza, qualquer brasileiro que se interesse por política já ouviu ou leu alguma avaliação pouco abonadora sobre os partidos politicos aqui existentes. É comum dizer-se que no Brasil eles não funcionam, não atuam na política do dia-a-dia, não olham para a sociedade e suas necessidades mais urgentes. E que seus integrantes, como deputados e senadores, representam a sim mesmos, pois olham somente para os próprios interesses e ignoram os programas e as ideologias das usas próprias organizações políticas. Numa linguagem bem a gosto do torcedor de futebol, comenta-se que os deputados e senadores, a toda hora, vestem qualquer camisa, não importando o clube, desde que polpudos ganhos estejam garantidos no fim de tudo.

A quem interessa que os partidos políticos sejam assim, fracos na representação da sociedade, sem definição política e ideológica? Por que esse problema que vem do período imperial permance nos dias atuais?
No Brasil a nossa história foi se fazendo com mluitas diferenças em relação à europeia, ou à americana. O capitalismo tardio e a sociedade escravocrata ou excludente fizeram da vida política um espaço de atuação para poucos e que dispensa a participação das classes médias no poder político.

No Império, já no final do Primeiro Reinado(1827), e inico da Regência, surgem os liberais dominantes, que o formam o Partido Moderado(chimango), em oposição aos extremados, os liberais exaltados e os restauradores(caramurus). No período da Regêçncia do Padre Feijó, divergências no seio do Partido Moderdo abrem caminho para o surgimento dos "regressistas" e dos "progressistas", que formarão a base dos futuros conservadores e liberais.

As idéias, os valores, os interesses, a visão de mundo dos setores dominantes, mal se diferenciavam, não justificavam bem caminhos tão distintos entre seus partidos politicos. Liberais e Conservadores eram partidos politicos que se originavam do mesmo meio social, da mesma propriedade latifundiária e escravista.As diferenças apareciam em época de crise, e tinham sempre um conteúdo regional.

Sem entrar no mérito dessa discussão, o que se percebe, ao se levantar a questão dos partidos políticos perante uma sociedade que sempre teve que contar com o Estado para a construção de sua vida material e opções políticas dominantes, é a existêçncia concreta de exíguos espaços para uma democracia social.

* Leciona Sociologia no JBC


segunda-feira, 7 de setembro de 2009

RETALHOS DA HISTORIA DE RONDÔNIA




Quando o Governador Jorge Teixeira chegou a Rondônia depois de uma excelente administração como Comandante do Colégio Militar de Manaus e depois como o prefeito que modificou e transformou a Manaus antiga em uma Manaus moderna, com belas praças, viadutos, novos bairros, transportes e vias rápidas, a expectativa do povo rondoniense era grande pela vinda daquele militar que se contavam maravilhas. Porto Velho fez festa para receber o substituto do Gov. Humberto da Silva Guedes, que tinha cumprido com maestria (que a historia registre para se fazer justiça) sua missão, dando inicio as grandes transformações que faria com que o Território fosse elevado a categoria de Estado (criação dos municípios de Ariquemes, Ji-Paraná, Cacoal, Pimenta Bueno e Vilhena; extinção da Guarda Territorial e criação da Secretaria de Segurança Publica com a Policia Militar e Policia Civil; Construção do Quartel da PM idêntico ao de Brasília DF, Construção do prédio do Detran, IML, Instituto de Identificação e Instituto de Criminalística na Av. Kennedy (hoje Jorge Teixeira, através de projeto de lei do vereador Lucivaldo Souza- Legislatura1983 a 1989); Criação de diversas Secretarias que antes eram departamentos etc. O Coronel Humberto Guedes merecia muito mais do que tem recebido de Rondônia. Mas voltemos ao seu sucessor “Teixeirão”, como o povo carinhosamente o chamava, pelo seu porte e desenvoltura, um verdadeiro trator para trabalhar. Chegando a nossa Capital em seu primeiro discurso, já deixou claro que tinha aceitado aquela missão para governar um Estado e não um Território, e que seus colaboradores teriam que se acostumarem ao seu ritmo, pois seu lema era “trabalho, trabalho, trabalho”. Entre eles estava Dr. José Renato da Frota Uchoa (o cérebro) que merece um capitulo a parte pela sua inteligência, competência, fidelidade. “Teixeirão” pos mãos a obra, e como prometido transformou Rondônia em um canteiro de obras.


Com raras exceções, a maioria do seu secretariado era filho da terra ou nela já morava como José Francisco Chiquilito Coimbra Erse, (Administração), Dr. Adelino Silva, Viriato Moura, Helio Maximo Pereira (tinha sido Superintendente de PF), Willian Cury (Agricultura), Hamilton Almeida (Fazenda), outros que a lembrança agora me falha, mas que o nobre poeta tem em seus arquivos. Para administrar a Capital Porto Velho o governador trouxe de Manaus o Engenheiro Civil Francisco Paiva, fato que gerou polemica e descontentamento para os portovelhenses, principalmente os políticos; (Rondônia não tinha ainda Assembléia Legislativa) e a Câmara municipal de Porto Velho com representantes eleitos pelos diversos distritos (nas eleições de 1976 Ariquemes ou Vila Garimpeira, Ji-Paraná ou Vila de Rondônia, Cacoal, Pimenta Bueno e Vilhena, eram Distritos de Porto Velho, e elegiam seus vereadores) era quem ecoava os anseios do povo. Francisco Paiva começou seu trabalho como prefeito, com todo apoio do Governador, e embora tivesse escolhido seu secretariado com os quadros Rondoniense, Sebastião Assef Valadares, Haroldo Leite, Manuel Médici Jurado, Rubens Moreira Mendes, e contasse com a maioria na Câmara, com entre outros, os vereadores Amizael Gomes da Silva, Marise Castiel, Itamar Dantas;

Teve contra si uma manobra bem urdida fomentada pelo Advogado e iniciante de político Odacir Soares, que depois de contar com a adesão de todo secretariado municipal mais os vereadores da Arena, o Governador Jorge Teixeira foi obrigado a exonerar Francisco Paiva, e nomeou (para desespero de Odacir que pretendia ser o ungido) Sebastião Assef Valadares para prefeito. Tião foi um excelente prefeito e ajudou e continua ajudando no desenvolvimento do Estado de Rondônia. Seu secretariado também foi de fundamental importância para nossa Capital. Até a próxima, tenho muito que contar desde a chegada do “Teixeirão” em Rondônia. Quando falei que Odacir Soares era iniciante na política, era porque o mesmo embora já tivesse sido Prefeito de Porto Velho nomeado, na sua primeira tentativa de ser Deputado Federal, (o Território Federal tinha duas vagas) nas eleições de 1978, o mesmo perdeu para JERONIMO SANTANA (eleito pela terceira vez) e para o candidato do governador Humberto Guedes, o gerente do Banco do Brasil de Guajará-Mirim, ISAAC NEWTON, que do qual ficou como suplente, vindo depois a assumir por dois anos em uma transação até hoje não muito bem explicada, mas que terminou com a carreira política e funcional do Deputado Isaac Newton.

Jerônimo Santana, nesta legislatura deu o maior vexame de sua carreira parlamentar, pois na votação do Projeto de Lei que transformava o Território de Rondônia em Estado, o mesmo, que não teve sua emenda que obrigava eleições diretas para governador acatada pelo relator do projeto, Deputado por São Paulo ANTONIO MORIMOTO (falecido recentemente), se ausentou do plenário esperando que a bancada do PMDB fizesse o mesmo, fato que não aconteceu, e quando o mesmo correu para o Plenário, a votação já tinha sido encerrada, e pelo que conta os presentes na ocasião o nobre Deputado chegou mesmo a desmaiar, enquanto o povo comemorava nas ruas das cidades rondonienses o primeiro passo para a criação do Estado de Rondônia.Nesta eleição eu fui destacado juntamente com minha equipe para o Distrito de Rolim de Moura. Saímos de avião dois dias antes para Cacoal, mas quando chegamos lá, o Delegado nos avisou que já tinha mandado uma equipe no dia anterior, pois a estrada estava péssima, a ponte tinha caído e estava se gastando quase três dias para chegar lá. Ficamos então em Cacoal no Hotel Decolores (que existe até hoje), dando segurança ao Juiz de Direito do Distrito Federal e Territórios, Dr. Benedito.

Cacoal foi um dos poucos lugares que Odacir Soares foi vencedor e levamos uma bronca do Governador e do Secretario que não queriam de forma alguma a vitória do mesmo. O Governador Guedes mostrou sua força política, ao tirar um bancário sem tradição política e de um colégio eleitoral pequeno e fazê-lo o grande vencedor. Pena que depois ele entregou o mandato ao Odacir Soares, não honrando o esforço dos que o elegeram. Anos depois, Odacir já Senador da Republica, encontrei Isaac Newton no aeroporto em Brasília-DF, desesperado querendo matar Odacir. Juntamente com o vereador Lucindo Quintans e o Assessor Parlamentar José Carlos Cavalcante, pegamos uma carona do mesmo até o apartamento do Deputado Federal Chiquilito Erse.E só soubemos de noticias do ex-Deputado meses depois, através da imprensa nacional


A chegada do governador “Teixeirão” a Rondônia transformou o Territórioem um canteiro de obras, o homem não parava de trabalhar, acompanhar o ritmo dele era um sacrifício para todos, mas como dizia “não queria moleirão na sua equipe”. Segunda-feira ele dedicava a Capital Porto Velho, pegava o prefeito cedo (primeiro Francisco Paiva depois Sebastião Valadares) e ia visitar as frentes de trabalho. As levas de imigrantes chegavam toda hora, precisando de casa, terrenos, água, luz, esgotos, escolas, postos de saúde e hospitais, e “Teixeirão” se dividia entre Brasília, Porto Velho e o interior de Rondônia, buscava recursos e corria para aplicar o que conseguia. Mandou construir os dois primeiros conjuntos habitacionais de Rondônia, Santo Antonio para os técnicos e o Mal. Rondon para os funcionários menos graduado.Derrubou diversos prédios e construiu outros novos, asfaltou ruas, fez galerias de esgotos e construía escolas por onde passava. Rondônia era uma febre, gente chegando de todos os cantos, o Incra distribuindo terras e o governo do Território dando o apoio que o colono precisava, primeiro através da Secretaria de Agricultura e depois através da Companhia de desenvolvimento Agrícola de Rondônia (Codaron), empresa criada para fomentar a agricultura e o desenvolvimento rural, que foi comandada pelo competente técnico William Cury e uma equipe dos melhores profissionais (e políticos, mas isto é outra historia que contaremos mais adiante), que entre os destaques, podemos citar a criação dos NUARES (Núcleo Urbano de Apoio Rural), que se transformaram rapidamente em municípios e fez com que o Banco Mundial premiasse Rondônia e o William Cury, oferecendo-lhe um Cargo elevado na direção daquela instituição, o que não foi aceito pelo Cury.

O governador Jorge Teixeira, para acompanhar as obras no interior, requisitou ao Incra sua sede no distrito de Ouro Preto do Oeste, e ali estabeleceu o Palácio dos despachos, onde permanecia pelo menos três dias por semana, se deslocando de helicóptero, carro, barco, muitas vezes a pé,Certa vez nos estávamos em uma linha próxima estávamos em uma linha próxima a Ji-Paraná quando o carro quebrou e ele fez todo mundo voltar a pé, no caminho encontrou um colono com malaria, que não conseguia caminhar, ele não contou conversa, para desespero meu, Dr. Helio Maximo e outros que faziam parte da comitiva, ele colocou o colono nas costas e fomos revezando, até sairmos na Br.Enquanto o governador trabalhava, tanto em campo, como em Brasília para atrair recursos, era muitas vezes atrapalhado pelos políticos que não viam com bons olhos o seu corre-corre intenso, principalmente com a criação de novos municípios (Jaru, Ouro Preto do Oeste, Espigão do Oeste), e nomeação dos prefeitos.Com a redemocratização do Pais e o retorno do pluralismo político em 1980, foi o governador buscar nas fileiras do MDB, o medico de Ji-Paraná, CLAUDIONOR RORIZ, para organizar e fundar o PDS, partido que substituio a ARENA, e que nas eleições de 1982 teria vitória esmagadora contra o novo PMDB.Mas vocês vão ter aguardar, pois aí é que efetivamente eu entro na política, através do “barbudo” Claudionor Roriz e João Wilson Godin.


CLAUDIONOR RORIZ E O PDS
Como falei no tópico anterior foi através do Dr. Claudionor Roriz, medico dos bons, político de bastidores dos melhores, que entrei na política partidária, através da JDS (Juventude Democrata Social do PDS), que com a abertura política do Presidente Figueiredo o pluripartidarismo voltou a vigorar no Brasil e o Claudionor foi arrancado das hostes do MDB, agora PMDB pelo Teixeirão para criar o Partido Democrata Social que entrava em substituição a antiga ARENA (Aliança Renovadora Nacional). O mais engraçado é que eu tinha recebido um convite do meu amigo José Neumar, que trabalhava no escritório de advocacia do Rubens Moreira Mendes, Francisco Balbi (então esposo de Nazaré Erse) e Manoel Médici Jurado ali na Carlos Gomes onde hoje deve ser o Bradesco e eu trabalhava na Central de Policia, 1º DP, que ficava na Av. Farquar com a AV. Carlos Gomes. Minha amizade com Neumar vinha desde quando eu trabalhava com meu tio Swami Otto Barbosa e Benedito, o famoso Bené que depois viria a se formar em Ciências Contábeis na Unir e após passar no Concurso do Tribunal de Contas do Estado, foi tragicamente assassinado em um assalto a uma agencia bancaria que funcionava no prédio daquela Instituição. Então como dizia meu primeiro emprego em Rondônia foi no escritório de Contabilidade S/C Contabil que funcionava no subsolo do edifício do Dr. Rosseti, ao lado da casa de Luiz Tourinho, sub-esquina da Ladeira Comendador Centeno , na rua José do Patrocínio, onde os irmãos Mario e Mauricio Calisto tinham a loja de moveis Rondolar antes de partirem para as empresas de comunicação através da Radio Eldorado e Jornal O Estadão do Norte.


Retirado da Comunidade Historia de Rondônia eu vivi: João Paulo das Virgens