Tratar Presos com mais rigor?

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

ENSINO PÚBLICO E O DESCASO DOS GOVERNOS


"Cada dia que passo, vou perdendo à luta pela uma educação digna no ensino público parece ser o mau de todos os professores durante os anos que ensinam!"(Professor Walber Queiroz)
 
O aluno é visto apenas como um número, e utilizado somente como ferramenta política. Estes números são transformados em dados e divulgados com objetivos eleitoreiros - 99% de crianças na escola; 99% de alunos com o ensino fundamental; 99% de alunos com o ensino médio; 0,1 de analfabetos . O resultado desta política se traduz no seguinte pensamento: "temos que melhorar os números, não importa como".
Professores todos os dias vivem em uma batalha  difícil de mudar a educação no Brasil!!!!

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

DELICIA, DELICIA...ASSIM VC ME MATA.....

Já começou a maior festa popular do mundo, e o Carnaval... Pra que gosta muita diversão, zoeira é tudo curtição! Para quem não gosta da folia, um bom feriadão prolongado... Será a invasão das praias e dos resorts.
Aqui pela terrinha, ontem foi o desfile do galo mais bonito da região norte: O GALO DA MEIA NOITE, hoje promete muito com o Bloco Imigrantes, Coruja e tantos outros que vão invadir as ruas de nossa querida Porto Velho!!!
É bom lembrar se beber não dirija!!!!!   e não esqueça de usar a camisinha!!!!!

Delicia, Delicia.....

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

PROFESSOR ANTENADO

O Governo Federal está prometendo até o final de 2012 um aparelho Tablet para todos os professores do Ensino Médio do País.  Seria cómico, se não fosse trágico! Vivemos um momento impar na história da humanidade na questão da "comunicação".
A velocidade do desenvolvimento tecnoligico é fantastico. A cada dia, um novo aparelho. Mas, estariam os professores do nosso país preparados para o uso de tal tecnologia?
São ferramentas maravilhosas para melhorar as atividades dentro da sala de aula. Mas teriam tempo para o preparo das aulas?
O que vemos na maioria do nosso país, são profissionais que trabalham os três turnos para ter um salário mediano. O que precisamos na verdade é de salários dignos, que nos dê condições de sermos tratados como cidadão e visto com respeito pela sociedade.
Entregar um aparelho Tablet para a maioria do professorado do Brasil, não é nada mais do que um Política esconde os graves problemas brasileiros com soluções imediatistas e enganadoras!
Nosso PISO SALARIAL é uma vergonha!!!
A reportagem da Revista Veja que diz que o professor brasileiro está antenado com as novas ferramentas da Internet não é a realidade que passa a maioria dos profissionais em educação pelo nosso país afora!!!!

Prof Valdeci Ribeiro, leciona História Geral e Regional, Filosofia e Sociologia em Porto Velho-RO.


sábado, 4 de fevereiro de 2012

A CRIATIVIDADE

 A IMPORTÂNCIA  DA  CRIATIVIDADE NOS CURSOS  DE GRADUAÇÃO E PÓS-GRADUAÇÃO

Valdeci Filho Ribeiro Melo¹
Kleber Gonçalves Barbosa1
Maria do Socorro Calixto2
RESUMO
Este estudo busca compreender a importância da criatividade nos cursos de graduação e pós-graduação. Sendo que na mescla ensino-aprendizagem, a criatividade é vista como essencial para o desenvolvimento das pessoas que nela interagem. Algumas pesquisas, considerando-se o ponto de vista do ensino, relacionam criatividade predominantemente com o ensino fundamental e médio. A criatividade não pode ser vista como objeto isolado e sim como elemento dentro do mais vasto contexto, sem deixar de contextualizá-la em relação à problemática econômica, social, política e cultural. Na prática docente como em outras áreas do conhecimento, é importante “estimular o progresso através do processo de auto-aperfeiçoamento incansável com o objetivo de sempre fazer cada vez melhor”. A análise bibliográfica e de alguns inventários nos mostrará os caminhos que nos levam ou impedem chegar à criatividade. 
Palavras chaves: práticas docentes. criatividade. ensino-aprendizagem.

RESUMEN
Este estudio busca comprender la importancia de la creatividad en los niveles de pregrado y postgrado. Dado que la mescla  entre la enseñanza y el aprendizaje, la creatividad es vista como esencial para el desarrollo de las personas, que en ella interagen. Algunas investigaciones, teniendo en cuenta el punto de vista de la educación, la creatividad se refiere sobre todo a la escuela primaria y secundaria. La creatividad no puede ser vista como un objeto aislado, sino como un elemento dentro del contexto más amplio, mientras que contextualizar con referencia a la problemática económica, social, político y cultural. En la práctica docente como en otras áreas del conocimiento, es importante "fomentar el desarrollo a través del proceso de incesante de superación con el objetivo de hacer siempre mejor y mejor". El análisis bibliográfica y de algunos inventarios, muéstranos caminos que nos llevan a alcanzar o dificultan la creatividad.
Palabras clave: prácticas docentes. la creatividad. la enseñanza-aprendizaje.
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Artigo apresentado como trabalho de Conclusão de Curso  para obtenção do título de Especialista em Metodología do Ensino Superior, pela Faculdade São Lucas em Porto Velho-RO1
Orientadora: Professora Mestre em Biologia  Maria do Socorro Calixto2
 

1. INTRODUÇÃO
          Muitas são as definições propostas para o termo criatividade. Grande parte das obras escritas sobre o tema define criatividade basicamente como algo novo.  Abrangendo a capacidade de compreender, relacionar, ordenar, configurar, significar. O homem cria, não apenas porque quer, ou porque gosta, mas porque precisa e ele só pode crescer, enquanto ser humano, coerentemente, ordenando, dando forma, criando. Criar pode significar uma renovação, representa um momento de libertação, mais gratificante ainda é o sentimento de enriquecimento de sua própria produtividade enquanto profissional.
            No bojo desse estudo é preciso que se entendam as transformações ocorridas dentro das universidades brasileiras, que segundo Chauí (1999), essa transformação se deu por etapas: iniciou-se com a universidade funcional, dos anos 70, valorizada socialmente por possibilitar prestígio e ascensão social, mediante a graduação universitária e por propiciar rápida formação de mão-de-obra para o mercado. Nesse período, a universidade passou por alterações em seus currículos  e programas, visando a inserção dos profissionais graduados no mercado de trabalho. Na etapa seguinte, nos anos 80, surgiu a universidade dos resultados. Iniciada na etapa anterior agrega dois novos componentes: a expansão da rede privada de ensino superior e a parceria entre universidades e empresas, por intermédio de financiamento de pesquisas, conforme interesse daquelas ultimas. E a terceira etapa, nos anos 90, chamada de universidade operacional, que, caracterizando-se  como entidade administrativa, deixa de voltar-se para o conhecimento ou para o mercado de trabalho e passa a voltar-se para si mesma, sendo avaliada por índices de produtividade, estruturadas por estratégias de eficácia organizacional. Não mais priorizando seu compromisso com o conhecimento e a formação intelectual, “opera e por isso não age”. Nesse sentido, a função da universidade restringe-se “a dar conhecer para que não se possa pensar. Adquirir e reproduzir para não criar. Consumir em lugar de realizar o trabalho de reflexão” (Chauí, 2001, p.62 – grifos da autora).
            Numa perspectiva crítica da educação, a universidade não deve simplesmente adequar-se às oscilações do mercado, mas aprender a olhar em seu entorno, a compreender e assimilar fenômenos, a produzir respostas às mudanças sociais, a preparar globalmente os estudantes para as complexidades que se avizinham a situar-se como instituição líder, produtora de idéias, culturas, artes e técnicas renovadas que se comprometam com a humanidade, com o processo de humanização.
            É importante ressaltar ainda que, num processo educativo que se propõe transformador, os objetivos de ensino precisarão estar voltados eminentemente para a reelaboração e produção de conhecimentos. Para tanto deverão expressar ações, tais como a reflexão crítica, a curiosidade cientifica, a investigação e a criatividade. A opção do professor  por um ensino crítico, criativo e transformador somente se concretizará através de uma sistemática de planejar seu trabalho de forma participativa e problematizadora, que ouse dar oportunidade para o aluno reelaborar os conteúdos  do saber sistematizado, com vistas à produção de novos conhecimentos. 
             Com o objetivo de fornecer subsídios para um melhor entendimento, reconhecimento da necessidade de formar profissionais com habilidades e competências, mas, utilizando-se da criatividade como instrumento que viabilize trabalhar o conhecimento de formas diferente, com a possibilidade de superar práticas tradicionais de ensino, este artigo utilizou-se de pesquisa bibliográfica, identificando os aspectos relevantes a serem considerados na elaboração de novas reflexões acerca da importância da criatividade nos cursos de graduação e pós-graduação.
           Sob essa perspectiva, a criatividade no processo ensino-aprendizagem deverá ser assumida pelo professor como uma ação pedagógica consciente e comprometida com a totalidade do processo educativo transformador. 
2. DESENVOLVENDO CRIATIVIDADE
             O processo de desenvolvimento da criatividade é bastante complexo. Muitos autores escreveram e continuam escrevendo a esse respeito. Os livros que tratam de criatividade costumam enumerar vários quadros de referência teórica que já foram elaborados para estudar esse assunto.
           O processo de desenvolvimento da criatividade apresenta alguns aspectos que são comuns à maioria das abordagens modernas acerca do problema, e que são de grande relevância para os professores.
             Autores como Alencar (1991, 2001, 2002), Alencar e Fleith (2003a), Chagas, Aspesi e Fleith (2005),  Choi (2004), Feldman (1999), Simonton (1999), Sternberg e Lubart (1991, 1995) e Wechsler (1993, 2002) consideram a relação-individuo ambiente um fator tão essencial para o desenvolvimento da criatividade, quanto as características intrapessoais.
            Chagas, Aspesi e Fleith (2005) explicam que a promoção da criatividade está associada às interações desenvolvidas pelo individuo na família, escola e sociedade. Um ambiente favorável ao desenvolvimento da criatividade está relacionado a qualidade da construção dessas interações e às experiências de vida dos indivíduos inseridos nesse contexto. Sendo assim, a escola é de fato um local privilegiado de estimulo e desenvolvimento das habilidades criativas. Alencar e Fleith (2003) alertam para o fato da escola ainda oferecer, nos dias de hoje, uma educação estática, que privilegia a reprodução e memorização de conhecimentos, apesar do reconhecimento da importância da criatividade no contexto educacional.
             Segundo Ruiz (2004), é necessário que haja professores universitários, modelos para seus estudantes, docentes do futuro, motivados a aprender sempre e que busquem se aperfeiçoar e trazer inovações favoráveis para a sala de aula, sendo fundamental um profissional criativo e  cheio de entusiasmo pelo processo ensino-aprendizagem. Vários estudos mostraram  que a criatividade é pouco evidenciada nas universidades por parte dos professores, e que os programas das disciplinas não favorecem a expressão e o desenvolvimento da criatividade do aluno. Os conteúdos que constituem esse saber elaborado não poderão ser considerados de forma estática e acabados, pois se trata de conteúdos dinâmicos e, por isso, articulados dialeticamente com a realidade histórica. Precisam ser conduzidos de modo que transmitam a cultura acumulada, também para a produção de novos conhecimentos.
            Analisando as literaturas na área da criatividade nota-se que pouca atenção tem sido dada ao desenvolvimento e cultivo das habilidades criativas dos estudantes de graduação e pós-graduação na maioria dos países. Vários autores, entre eles, Tolliver (1985) e Paulovich(1993) fazem críticas severas  à educação universitária por não encorajar e mesmo reprimir o desenvolvimento e expressão das habilidades criativas dos estudantes.Foi elaborado por Alencar e Fleith (1996, 1997), um Inventário de Práticas Docentes que favorecem a criatividade no Ensino Superior, um dos fatores que levou ao desenvolvimento dessa pesquisa foi a inexistência de estudos no Brasil sobre a criatividade de estudantes universitários e de seus professores.
           A maior parte das pesquisas direcionadas e voltadas para o estudo da criatividade foram focadas nos primeiros anos de escola. Autores como Torrance (1976), Treffinger (1993); Treffinger, Isaksen & Firestien(1983) e Renzulli(1992), todos chamam a atenção para  importância crucial de se estimular, desenvolver e oferecer práticas efetivas que levem ao potencial criador.
             No Brasil um estudo prévio realizado por Rosas (1988), constatou falta de incentivo a criatividade nos cursos universitários, lembrando a autora à necessidade de o professor universitário ultrapassar o papel de conservador e transmissor, para o de inovador, produtor e criador. Entretanto nenhum dado empírico foi apresentado pela autora para dar apoio a esta posição.
2.1 BARREIRAS PARA A CRIATIVIDADE
            Desde o inicio, a preocupação de nossos questionamentos voltou-se para a importância da criatividade nos cursos de graduação e pós-graduação, permitindo ao docente do ensino superior com bases em estudos, fazer uma analise para uma possível mudança de postura em relação a sua prática pedagógica.
            O professor universitário, como afirma Sancho Gil  & Hernandez(1997), encontra-se sempre no centro de difícil dilema: se mostra suas reivindicações, organiza-se e luta por melhores condições de trabalho, criará problemas para a sociedade; se não se organiza e só mostra sua reivindicações através de sua conduta na instituição em que trabalha (dedicando-se estritamente às horas de trabalho remunerado, deixando de cumprir atividades extras sem remuneração, etc.), a qualidade do ensino, mantida à custa dele mesmo, pode cair em pedaços. E sempre  dessa dicotomia  que parece todo aquele que trabalha com  o educar, o status quo vai sendo mantido e o profissional da Educação, cada vez mais, vai se descaracterizando como profissional.
             A luta que se vem travando para elevar o nível de qualidade do ensino de graduação exige que nossos alunos aprendam a reconstruir o conhecimento, a descobrir um significado pessoal e próprio para o que estão aprendendo, a relacionar novas informações com o conhecimento que já possuem, com as novas exigências do exercício de sua profissão, com as necessidades atuais da sociedade onde vão trabalhar. Uma das barreiras que inibem o desenvolvimento da criatividade foi apontada por alguns autores, como o pouco espaço destinado a esse fim, nesse sentido, Rosas (1985, p.122) ressalta queé no terceiro grau onde menos se fala e pensa em criatividade. Excetuando-se as escolas e/ou departamentos de     artes, parece que os demais professores têm muito mais o que fazer do que se  preocupar  com a  imaginação, fantasia e criação”.
              A melhoria da qualidade dos cursos de graduação e pós-graduação se concretizará quando nossos alunos conseguirem assumir o desenvolvimento de aprendizagens fundamentais para a aprendizagem de hoje. Teoricamente, há um consenso de que “aprender a aprender” é o papel mais importante de qualquer instituição educacional. Vale ressaltar que “aprender a aprender”, é a capacidade do aprendiz de refletir sobre sua própria experiência de aprender, identificar os procedimentos necessários para aprender, suas melhores opções, suas potencialidades e suas limitações.
           Tendo refletido sobre a importância da criatividade, o que se defende aqui, é a mudança de postura do professor, daquele que “ensina”, para aquele que ajuda o aluno para que ele possa aprender; a mudança do papel de transmissor de informações para o de mediador pedagógico junto aos alunos. 
                                                Sempre que desenvolvemos atividades pedagógicas com a preocupação de criar melhores condições para a aprendizagem dos alunos, conseguimos motivar esses alunos para o estudo das disciplinas, envolvê-los com sua formação profissional e tornar significativo para eles o curso de graduação – e como conseqüência elevar o nível de qualidade desse curso.  (MASSETO, 1992)

            O que se espera dessas experiências é que outros colegas sintam-se motivados a “fazer diferente”, ousando, criando condições para elevação do nível de qualidade dos cursos de graduação e pós-graduação.
            Outra dificuldade encontrada refere-se ao próprio sistema educacional. Com exceção dos docentes que atuam em cursos da área de educação, o professor universitário, geralmente, não tem formação pedagógica, embora tenha sólido conhecimento dos conteúdos de seu campo de trabalho. É preciso considerar que a organização do trabalho pedagógico requer competência técnica, e isto, não abrange apenas o conhecimento do conteúdo.
           Para  o professor não basta apenas “saber”, é preciso “saber fazer”. Castanho (2000, p. 75-89) considera que nossas faculdades são, no geral, pouco ou nada criativas, desenvolver criatividade é uma característica rara nos cursos superiores. Para o autor nossos jovens são educados, para uma atitude conformista e homogênea que os sistemas escolares os condenam.
            Cada uma dessas tendências apresenta falha e orientações próprias, questionam-se o “eficientismo” dos cursos de graduação e pós-graduação, pois são centrados na preocupação com resultados e o rendimento escolar, entendido como o nível de satisfação dos objetivos da aprendizagem, estabelecidos pelo próprio sistema.
2.2 COMO USAR CRIATIVIDADE
            A desatenção dada à criatividade nos cursos de graduação e pós-graduação pode ser explicada pelo fato de que muitos docentes e discentes possuem idéias equivocadas a respeito da criatividade. Assim a falta de conhecimento leva o docente a não utilizar as ferramentas necessárias para o desenvolvimento da criatividade dentro da sala de aula.  Se estamos insatisfeitos com o nosso presente, com a nossa realidade tal como se apresenta, somente poderemos ter, no futuro, uma situação diferente, caso tomemos uma decisão a respeito da construção dessa situação desejada. Esse desejo de transformação da realidade, não é possível sem uma análise racional e objetiva. Vale dizer que a criatividade está calcada, sobremodo, na competência de quem planeja.
           O ato de planejar faz parte da história do ser humano, pois o desejo de transformar sonhos em realidade objetiva é uma preocupação marcante de toda pessoa (BAFFI, 2002), sendo assim o ato de “criar” está para o “ planejar”, como o ensino está para a aprendizagem. Assim, para a realização de atividades que não estão inseridas em nosso cotidiano, usamos os processos racionais para alcançar o que desejamos. Vejamos então, a importância do planejamento, para o desenvolvimento da criatividade como aponta Gandin (2001, p.83):
                                        Embora não o faça de maneira consciente e eficaz a pessoa humana possui uma es  
     trutura básica que o leva a divisar o futuro, analisar a realidade a propor  ações   e
                                                  atitudes para transformá-la

 3. APLICANDO PRINCÍPIOS PSICOLÓGICOS NO DESENVOLVIMENTO DA
     CRIATIVIDADE
3.1 Reconhecendo as diferenças individuais
           O professor deverá procurar saber se as classes foram formadas aleatoriamente ou segundo algum critério definido. E também serão desejáveis informações prévias acerca dos alunos, obtidas a partir das fichas de inscrição. À medida que o professor dispuser dessas informações, terá visão global das classes, o que poderá auxiliá-lo nas estratégias a serem aplicadas.
           Há uma série de idéias, que poderá o professor colocar em prática, entre elas a chamada avaliação diagnóstica; assim poderá classificar os alunos de acordo com certas características, como interesses, conhecimentos específico e histórico instrucional que possam auxiliar na seleção das estratégias de ensino e fazer uso da ferramenta chamada criatividade.
3.2 Motivar os alunos
             Sempre que falamos em motivação parece coisa simples e acabada, no entanto é uma atividade complexa, muito mais do que se imagina. Na maioria das vezes admite-se que um professor está motivando, quando utiliza variados recursos de ensino ou conta fatos pitorescos em sala. Entretanto vai além do que isso, porque motivar implica despertar e manter o interesse do aluno no aprender. A motivação envolve, portanto, o estabelecimento de um relacionamento mais intenso entre o professor e os alunos. Então, à medida que o professor procura identificar o interesse dos alunos é que está em condições de motivar seus alunos.
3.3 Manter os alunos atentos
           O professor conseguirá melhores resultados em relação à atenção dos alunos, se considerarem alguns pontos como: humor, entusiasmo, aplicação prática, recursos auxiliares de ensino e participação. No entanto, além da motivação, cabe ao professor conhecer muito bem a estrutura interna do assunto a ser ensinado, assim como a melhor seqüência de apresentação do conteúdo.
3.4 Estimular as reações dos alunos
            Eis algumas sugestões, onde os alunos podem ser estimulados a participarem das aulas e desenvolverem seu potencial criativo:
a) A fazer perguntas
b) Apresentar exercícios;
c) Favorecer a tomada de anotações;
d) Estimular os alunos a falarem, a dar depoimentos pessoais, a fazer sugestões e a ampliar as idéias apresentadas.
3.5 Favorecer a retenção
           O professor precisa primeiramente garantir à organização do material a ser apresentado. Quanto maior a organização, maior a compreensão e, conseqüentemente, mais fácil à memorização e uma possível transferência de aprendizagem. Outro procedimento que favorece a retenção do conhecimento é a repetição. Entretanto, essa repetição deve ser criativa, pois repetir sempre a mesma coisa é cansativo e desestimula o interesse do aluno. Pode-se trabalhar a mesma coisa, o mesmo assunto de maneiras diferentes, utilizando recursos diferentes.
4. O PROFESSOR COMO FACILITADOR DA CRIATIVIDADE
             Existem várias estratégias de ensino. Entretanto, muitos professores universitários dominam uma única estratégia, que é a da exposição oral dos conteúdos. Existem ainda muitos professores que, embora conhecendo outras estratégias, não aplicam por não se sentirem seguros para aplicá-las. E professores que diversificam suas estratégias unicamente pelo desejo de diversificar, sem saber se são ou não adequadas aos seus propósitos.
            O professor deverá certificar-se que a estratégia escolhida é adequada à sua clientela e também os objetivos que pretende alcançar. Sob essa perspectiva, o planejamento do ensino deverá ser assumido pelo professor como uma ação pedagógica consciente e comprometida com a totalidade do processo educativo transformador, o qual, emergindo do social, a ele retorna numa ação dialética.
             Uma pesquisa desenvolvida por Chambers (1973), citada em Alencar e Fleith (2003c) constatou que professores universitários que se preocupam com o desenvolvimento da criatividade nos seus cursos apresentam perfis que envolvem entusiasmo, o encorajamento da independência por parte de seus alunos, o reconhecimento dos estudantes como iguais e especialmente a condução de suas aulas de uma maneira informal, sem comprometer a qualidade do ensino.  Em todas essas situações, entretanto, é fundamental o estudo pessoal para que se aproveite a oportunidade de aprofundamento teórico e para que essa atividade não se transforme apenas em mais uma “aula diferente”, sem o cumprimento dos objetivos propostos no planejamento da aula.
             O que interessa no momento é que possamos visualizar a participação do aluno como sujeito do processo de aprendizagem, permitindo-lhe desenvolver uma habilidade de integrar teoria e prática, encontrar solução para uma situação concreta e aprender atitudes e valores importantes a serem considerados quando de uma atuação profissional.
             O facilitador deve ser uma pessoa real, autêntica, que se apresenta sem máscara. Além disso, deve ser uma pessoa entusiasta, entediada, interessada nos alunos, zangada, sensitiva e simpática a eles. Sendo ela natural como pessoa humana, não tem necessidade de impor-se a eles. “Assim, constitui para os estudantes uma pessoa, não “a corporificação” anônima de uma exigência curricular ou um tubo estéril através do qual o conhecimento é passado de uma geração para outra” (ROGERS, 1986, p.128).
 4.1 CARACTERISTICAS DE PROFESSORES FACILITADORES
             Teoricamente, muitos entendem a criatividade como um fenômeno complexo. Que merecem ser mais bem explorados no futuro; Alencar (2000), por exemplo, traça um perfil do professor facilitador e inibidor da criatividade a partir de levantamento realizado junto a estudantes de pós-graduação de uma universidade pública. Observou que as técnicas instrucionais foram os aspectos mais utilizados pelos pós-graduandos para descrever tanto o perfil do professor facilitador quanto do professor inibidor das habilidades criativas do aluno.
             Estudos realizados por Teixeira e Alencar (2000), realizado com alunos de graduação, apontou como características do professor facilitador da criatividade o fato de este ser inteligente, dominar a sua disciplina, ensinar de forma eficaz, gostar de dar aulas, dentre outras características.
           Ainda, apontam Teixeira e Alencar (2000), a evidência dada ao papel do professor “modelo”, é largamente reconhecida pela Psicologia da Criatividade, quando se imagina o seu papel de multiplicador de atitudes em sala de aula, fica clara a importância de que ele, mediante os recursos que utiliza cotidianamente, propicie aos estudantes um clima favorável à manifestação dos eventuais potenciais criativos ali existentes (Alencar & Martinez 1998).
             Analisando um trabalho de investigação realizado com 127 alunos de pós-graduação, no nível de mestrado, na área de saúde. Foram seis turmas, com cerca de 20 alunos cada uma, para as quais uma equipe de professores doutores em educação ministrou cursos de 30 horas aulas de “metodologia do ensino superior”, estudos esses focados direcionados para a avaliação nos cursos de graduação e pós-graduação. Entre vários relatos positivos e negativos, um relato diz que “grande professor é o que se realiza com o sucesso do aluno”. Outro depoimento relata o caso de um avaliador que foi cumprimentado pelos avaliandos ao final da avaliação. Um professor foi considerado como tendo “grande criatividade”, aplicando provas inclusive de dramatização, em experiência de grande sucesso, que terminou quando denunciada por outro professor à direção. Para facilitar a aprendizagem dos alunos, o professor se vale de estratégias, ou seja, da aplicação dos meios disponíveis com vistas à consecução de seus objetivos.
           Estudos realizados por Alencar (2000), fala a respeito do professor universitário facilitador e inibidor da criatividade, na qual duas questões abertas foram utilizadas para levantar o perfil desses professores junto a pós-graduandos. Desenvolveu-se então, o Inventário de Práticas Docentes que em sua versão final da escala inclui, portanto, 37 itens. Os quatro fatores que caracterizam os professores facilitadores e inibidores, apontados pela análise serão descritos a seguir.
Fator 1 – Incentivo a novas idéias: Cultiva nos alunos o gosto pela descoberta e busca de novos conhecimentos, faz perguntas desafiadoras que motivem os alunos a pensar e raciocinar, estimula os alunos a analisarem diferentes aspectos de um problema, estimula a iniciativa dos alunos, estimula o aluno a pensar idéias novas relacionadas ao conteúdo da disciplina, promove a autoconfiança dos alunos, estimula a curiosidade dos alunos através das tarefas propostas, incentiva à independência dos alunos, desenvolve nos alunos habilidades análise crítica, leva o aluno a perceber e conhecer pontos de vistas divergentes sobre o mesmo problema ou tema de estudo, incentiva os alunos a fazerem questões relativas aos temas estudados, apresenta vários aspectos de uma questão que está sendo estudada, promove o debate com estímulo à participação de todos os alunos, faz perguntas, buscando conexões com assuntos abordados.
Fator 2 – Clima para expressão de idéias: Valoriza as idéias originais dos alunos, cria um ambiente de respeito e aceitação pelas idéias dos alunos, dá chances aos alunos para discordarem de seus pontos de vista, escuta com atenção as intervenções dos alunos, não está atento aos interesses dos alunos, tem senso de humor em sala de aula.
Fator 3 – Avaliação e metodologia de ensino: Preocupa-se apenas com o conteúdo informativo, utiliza formas de avaliação que exigem do aluno apenas à reprodução do conteúdo dado em classe ou contido nos livros-texto, utiliza sempre a mesma metodologia de ensino, faz uso de formas diversificadas de avaliação, oferece aos alunos poucas opções de escolha com relação aos trabalhos a serem desenvolvidos.
Fator 4 – Interesse pela aprendizagem do aluno: Utiliza exemplos para ilustrar o que está sendo abordado em classe, está disposto a elucidar dúvidas dos alunos, proporciona ampla bibliografia relativa aos tópicos abordados, desperta o interesse dos alunos fora de sala de aula, apresenta situações-problema a serem solucionadas pelos alunos, expõe o conteúdo de uma maneira didática, dá feedback construtivo aos alunos, oferece informações importantes e interessantes relativas ao conteúdo da disciplina que leciona, tem expectativas positivas com relação ao desempenho dos alunos e apresenta conteúdo atualizado.
            Os quatro fatores resultantes da análise fatorial dizem respeito a distintos atributos do professor, a dinâmica de sua prática docente e interesse pelo aluno e por sua aprendizagem. Além de sua aplicação para pesquisa, o instrumento pode ser utilizado para dá aos professores feedback de suas práticas docentes.
           A difusão dessas idéias mantém nossa esperança de que outros colegas se sintam motivados a ousar também, a modificar sua ação como docentes e a contribuir para a elevação do nível de qualidade dos cursos de graduação e pós-graduação nas universidades.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
            Criatividade, como vimos, tem tudo a ver com saber resolver problemas. Quando o professor consegue avaliar corretamente uma situação e detém um conhecimento que sustente uma idéia e a promova, ao aplicar a imaginação e sair da zona de conforto, estará sendo criativo. A criatividade é uma questão de postura. Como em todo o resto da vida, são nossas escolhas que determinam o caminho e o resultado. Nessa linha de pensamento, Torrance (1975) considera que “... uma perspectiva ampla de criatividade encontra-se no âmago dos processos que conduzem à atitude inovadora e crítica face ao conhecimento. A criatividade é uma capacidade humana que permite a percepção de um problema e a geração de novas idéias”. A partir do momento em que o professor se apropriar desta competência, alimentando-a sempre, nada mais o fará pará-lo.
           As universidades e faculdades brasileiras precisam refletir sobre a formação do professor. É preciso uma formação de qualidade para que se tenha uma atuação de qualidade, adaptando-se as novas exigências sociais e lhe oferecendo condições de permanentes aperfeiçoamento e atualização.
           A atuação de um “bom professor” exige que ele tenha conhecimentos razoáveis de idiomas estrangeiros. É preciso que ele possa estar preparado para interagir e dialogar junto com seus alunos; auxiliando e analisando criticamente as situações complexas e inesperadas informadas pelas mídias; a desenvolver sua criatividade; a utilizar outros tipos de “racionalidade”: a imaginação criadora, a sensibilidade táctil, visual e auditiva. Cabe ao professor o exame crítico de si mesmo, procurando orientar seus procedimentos de acordo com seus interesses e anseios de aperfeiçoamento e melhoria de desempenho.
           Encerrando estas reflexões sobre o repensar a docência universitária focada na transformação da aula no ensino superior e analisando o ponto inicial de nosso artigo: a importância da criatividade nos cursos de graduação e pós-graduação, ficou evidente que há um paradigma de ensino consolidado e estruturado há várias décadas, que precisa ser substituído por um novo paradigma que permita e dê condições para o desenvolvimento de uma nova era na educação, aberta às inovações que queremos fazer em nossas aulas. Transformando assim a universidade num espaço privilegiado de aprendizagem, de formação de profissionais competentes e cidadãos.
REFERÊNCIAS
ALENCAR, E.M.L.S. O estímulo a Criatividade no contexto universitário. Psicologia Escolar e Educacional, 1, 29-37., 1997.
ALENCAR, E.M.L.S. O perfil do professor facilitador e do professor inibidor da criatividade segundo estudantes de pós-graduação. Boletim da Academia Paulista de Psicologia, 19, 84-95., 2000.
ALENCAR, E.M.L.S., & FLEITH, D.S. Superdotados: determinantes, educação e ajustamento. São Paulo: EPU., 2001.
ALENCAR, E.M.L.S., & FLEITH, D.S.  Barreiras à criatividade pessoal entre professores de distintos níveis de ensino. Psicologia Reflexão e Crítica, 16,63-69., 2003.
ALENCAR, E.M.L.S., & FLEITH, DS. Criatividade: Múltiplas perspectivas. 3 edição. Brasília: Ed.UNB, 2003.
ALENCAR, E.M.L.S., & FLEITH, D.S. Inventário de práticas docentes que favorecem a criatividade no ensino superior. Psicologia: Reflexão e Crítica, 17, 105-110., 2004.
BAFFI, Maria Adelia Teixeira. O planejamento em educação: revisando conceitos para mudar conceitos e práticas. In.: BELLO, José Luiz de Paiva.Pedagogia em foco, Petrópolis, 2002.
CHAGAS, J. F., ASPESI, C. C., & FLEITH, D. S. (2005). A relação entre criatividade e desenvolvimento: uma visão sistêmica. In M. A. Dessen & A. Costa Jr. (Eds.), A ciência do desenvolvimento: tendências atuais e perspectivas futuras (pp.210-228). Porto Alegre: Artmed.   

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O SENSO COMUM E A CIENCIA








Valdeci F Ribeiro
 A ciência é ruptura ou uma extensão intelectualizada do senso comum? A resposta parece óbvia, mas é preciso pensar o problema. O óbvio aqui é dizer que é ruptura, crítica ao senso comum, porque é evidente que a ciência é um saber cumulativo muito mais sólido que o saber do cidadão que vive normalmente sua vida, tem sua fonte de informações na TV e se interessa pouco pela literatura científica especializada. Mas qual o sentido dessa diferença? Será que os cientistas fazem ciência por amor ao saber pelo saber? Será que se consideram acima dos simples mortais?
A primeira questão inevitável é esta: ciência é uma forma de saber que não se constrói ao acaso, mas se obtém por meio de um método científico. O método científico exige uma dose considerável de penetração, de análise, experimentação e organização. Você pode até dizer que essas características também estão presentes no senso comum, mas não é a mesma coisa. O senso comum é caracterizado por um apego a imagens, sensações e por um desinteresse na busca de explicações e justificativas. Esse esquema de pensamento não é exclusividade da vida cotidiana. Senso comum é também uma forma de pensamento que se recusa a aceitar a contestação criteriosa, a crítica com argumentos e demonstrações. Quando o Papa Urbano VIII, no século XVII, polemizou com Galileu e o impediu de veicular suas opiniões sobre a física do Universo, o que fornecia o alimento do ataque de Urbano a Galileu era justamente uma visão de senso comum milenar e antiga. Segundo essa visão não há nenhuma contradição entre o que diz a bíblia, o que ensinou Aristóteles e os dogmas da Igreja. As teses de Galileu contestavam esse pensamento, mostravam fissuras graves na teoria geocêntrica do universo e indicavam os erros de Aristóteles. Os cientistas, por seu lado, também se utilizam do esquema de imagens, sobretudo quando precisam ilustrar um complicado sistema físico ou químico, cuja estrutura é complexa demais para ser exposta em detalhes. Mas há algo no trabalho do cientista que não faz parte do nosso cotidiano: é o hábito de considerar os novos dados como uma hipótese, que pode ser explicada por meio de leis e teorias, e que precisa ser abandonada tão logo uma nova hipótese se apresente como mais adequada e satisfatória. Essa é a essência do método científico e o principal ponto de conflito com o senso comum. Bachelard explica que a exigência de um método e de uma linguagem especializada para comunicar os dados científicos afasta bastante a ciência do conhecimento comum. Por outro lado, o senso comum é bastante afeito ao um tipo bem rudimentar de experimentação: o contato físico com os objetos e as realidades. A ciência também valoriza a experimentação, mas não a supervaloriza. Como diz Bachelard:Entre o conhecimento comum e o conhecimento científico a ruptura nos parece tão nítida que estes dois tipos de conhecimento não poderiam ter a mesma filosofia. O empirismo é a filosofia que convém ao conhecimento comum. O empirismo encontra aí sua raiz, suas provas, seu reconhecimento. Ao contrário, o conhecimento científico é solidário com o racionalismo e, quer se queria ou não, o racionalismo está ligado à ciência, o racionalismo reclama fins científicos. Pela atividade científica, o racionalismo conhece uma atividade dialética que prescreve uma extensão constante de métodos. (BACHELARD, 1972, p. 45) Há, portanto, entre senso comum e ciência uma ruptura que não é uma questão de saber versus ignorância, ou opinião versus razão. O trabalho da pesquisa científica, em sua essência, é uma aplicação do método racional no estudo da natureza, do homem e do universo. Lá onde não há ciência, ou existe religião, cujo núcleo é a fé, ou existe vivência, cuja estrutura é a imaginação, o desejo e a crença. Estes dois eixos da vida são importantes no mundo da cultura geral, mas não se identificam facilmente com o espírito científico. Mas nem todos os estudiosos da ciência aceitam o paradigma da racionalidade como único critério que diferencia ciência de saber comum. Alguns, inclusive, rejeitam a oposição entre ciência e religião, dizendo que para além da racionalidade científica reside um sentimento humano que conduz o homem na elaboração de respostas para as origens do Universo. A ciência seria um conjunto de tentativas de respostas. A religião, por seu lado, uma experiência análoga à ciência. Enquanto uma utiliza métodos e experimentação, a outra se serve de mitos e contos. Mas, como ambas se constituem como buscas, hipóteses e ensaios, não se pode dizer que uma tem precedência ou mais valor que a outra. Essa posição é defendida, no Brasil, pelo físico e escritor Marcelo Gleiser, sobretudo em seu livro A Dança do Universo.

* Leciona no Instituto Maria Auxuliadora, e Escola JBC em Porto Velho-RO