Tratar Presos com mais rigor?

quarta-feira, 7 de agosto de 2013

EDUCAÇÃO EM RONDÔNIA UM VERDADEIRO CAOS!!!!!!

* Valdeci Ribeiro
Aqueles que, como eu, acreditam na possibilidade de uma sociedade efetivamente democrática, sabem que a educação desempenha um papel essencial na formação de cidadãos com um mínimo de bagagem cultural e consciência crítica e cidadã. Mas, em Rondônia  pelo menos, estamos muito  distantes desse ideal. De fato, basta colocar um pé dentro de uma escola pública rondoniense  para se perceber a gravidade do problema.

Como se sabe, as escolas em  Rondônia criaram um sistema de recuperação bimestral, parece-me que o verdadeiro interesse é  não reprovar os alunos anualmente (apenas por excesso de faltas). Com isso, retira-se do professor uma mínima moeda de troca com a qual ele pudesse barganhar com os alunos. Na medida em que estes, em geral, pouco ou nada estão dispostos a aprender, o professor fica com as mãos atadas. Para que afinal, prestar atenção na aula, copiar a lição, fazer exercícios etc., se, ao final das contas, todos serão aprovados?

A estrutura das escolas, especialmente o ambiente de sala de aula, é desanimador. Às condições muitas vezes precárias de ensino, somam-se o completo desrespeito dos alunos para com o patrimônio público, para não dizer em relação ao professor. Sujeira, bagunça, carteiras riscadas etc. Mas, na verdade, nada que boa parte dos adultos não faça cotidianamente também em outras esferas. É um típico exemplo de círculo vicioso, que se propaga ad infinitum.

É claro que há problemas na estrutura curricular, na forma como deveriam ser ministradas as aulas, que desestimulam os alunos, pois se baseiam numa realidade muito distante da que eles vivenciam. No entanto, me parece que apenas esse fator não é capaz de explicar o verdadeiro caos instalado na educação pública de Rondônia. A meu ver, há um problema de formação dos alunos, desde os níveis mais elementares, que jamais são resolvidos.

Os professores, amplamente desestimulados, fazem o que podem, até onde sua paciência permitir. Naturalmente, há maus professores, mas com o salário irrisório que recebem, a maioria acaba fazendo até demais, muitas vezes substituindo o papel que, na verdade, deveria ser dos pais ou responsáveis. Abrindo mão de sua responsabilidade, estes deixam para a escola (em primeiro lugar, na verdade, para os mass media, sobretudo a televisão), a tarefa de fornecer alguns dos elementos básicos de sociabilidade, como respeito ao próximo, à coisa pública, cordialidade etc., bem como a importância que a educação e uma boa formação (acadêmica e humana) devem ter na vida de uma pessoa, sobretudo nos dias atuais. A escola, por sua vez, que já não é capaz de cumprir nem mesmo suas obrigações elementares, torna-se ainda mais impotente quando precisa resolver também esta outra gama de problemas.
E para agravar ainda mais esse cenário catastrófico, a maioria das Escolas em Rondônia já no inicio do 3º bimestre ainda falta muitos professores para preencher o seu quadro de profissionais, tem escolas em Porto Velho que faltam mais de  5 professores na escola. Um verdadeiros CAOS!!!!!!

É fato que não se pode generalizar. Há exceções, naturalmente, tanto em termos de aluno, de classe, de escola etc., mas o ponto que quero reforçar é que a educação pública, sobretudo a rondoniense, não pode mais ficar como está. Sob pena de uma parcela importante de nosso futuro (como nação, como democracia) ficar (ainda mais) comprometido pela absoluta responsabilidade daqueles que há quase 20 anos governam nosso estado. Em outro momento, pretendo retomar o tema, aprofundar algumas questões. Este foi apenas um panorama geral, o testemunho difuso de um primeiro impacto. Ainda há muito para falar.


Professor Valdeci Ribeiro, leciona na Rede Pública em Porto Velho-RO.

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